Cinema, educação e o poder da imagem
Moisés Lemos Martins (2003) considera que “não é hoje possível falar das imagens do poder nem de poder das imagens, sem pensarmos que a imagem constitui a própria forma da nossa cultura”. Estamos constantemente rodeados de imagens, dos média às solicitações constantes que recebemos das mais variadas situações quotidianas, passando, claro, pela atenção que dedicamos aos dispositivos móveis. “Somos hoje atravessados, de facto, por uma imensidade de imagens que, nas ruas e nos centros comerciais nos vêm das montras e dos placares, imagens que nos invadem a casa, pela televisão, pelo vídeo, pelo computador, pelas consolas de jogos eletrónicos, imagens que nos assaltam, quando vamos ao multibanco, e que nos avassalam, quando nos refugiamos nas salas de cinema ou quando experimentamos embarcar em sessões de realidade virtual” (Martins, 2003). Este fenómeno deve ser relacionado com a proliferação de ecrãs que carateriza a contemporaneidade e que leva Lipovetsky e Serroy (2010) a falar de “ecranosfera”. Segundo os autores, “nada escapa, de maneira nenhuma às redes digitais da nova ecranocracia. Toda a vida, todas as nossas relações com o mundo e com os outros estão cada vez mais mediatizadas por um sem número de interfaces pelos quais os ecrãs não param de convergir, de comunicar, de se interconectar” (Lipovetsky e Serroy, 2010, p. 21).
Se a imagem constitui a própria forma da nossa cultura, parece inevitável a sua utilização em contexto educativo, considerando a sua complexidade, sobretudo se pensarmos em analisar e desconstruir imagens em movimento (Moreira, 2017).
Se a imagem constitui a própria forma da nossa cultura, parece inevitável a sua utilização em contexto educativo, considerando a sua complexidade, sobretudo se pensarmos em analisar e desconstruir imagens em movimento (Moreira, 2017).
As escolhas ao nível da edição numa reportagem televisiva ou da seleção de fotografias para acompanhar a notícia de um jornal podem ser o ponto de partida para a análise e discussão de diferentes temas. É precisamente o olhar atento em relação às escolhas de Stanley Kubrick nos seus filmes que nos permite identificar traços que caraterizam o trabalho deste realizador. Frequentemente identificamos elementos simétricos que caraterizam a sua linguagem visual e constituem um exemplo interessante da relevância da desconstrução de imagens em movimento e da interpretação dos significados associados.
- Stanley Kubrick: One Point Perspective
Referências
Lipovetsky, G. & Serroy, J. (2010). O ecrã global. Cultura mediática e cinema na era hipermoderna. Edições 70.
- Stanley Kubrick: One Point Perspective
Referências
Lipovetsky, G. & Serroy, J. (2010). O ecrã global. Cultura mediática e cinema na era hipermoderna. Edições 70.
Martins, M. L. (2003). O poder das imagens e as imagens do poder.
Moreira J.A. (2017), A Pedagogical Model to Deconstruct Moving Pictures in Virtual Learning Environments and its Impact on the Self-concept of Postgraduate Students. In Journal of e-Learning and Knowledge Society, v.13, n.1, pp. 77-90.
Moreira J.A. (2017), A Pedagogical Model to Deconstruct Moving Pictures in Virtual Learning Environments and its Impact on the Self-concept of Postgraduate Students. In Journal of e-Learning and Knowledge Society, v.13, n.1, pp. 77-90.
Rodrigues, C. (2015). A ubiquidade do ecrã. In Carvalheiro, J.R. (Org.). Público e Privado nas Comunicações Móveis. MinervaCoimbra, pp. 231-250.




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